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Dra. Angélica Manfroi – Medicina de Família e Comunidade em São Paulo – SP

A menopausa é uma das fases mais marcantes da vida da mulher — e também uma das menos compreendidas.
Ela não é uma doença, mas sim um processo natural de transição que marca o fim da vida reprodutiva. No entanto, pode trazer mudanças físicas, emocionais e sociais significativas, exigindo acolhimento, informação e acompanhamento médico.

No Brasil, mais de 20 milhões de mulheres estão na faixa etária da menopausa, entre 45 e 55 anos. Com o aumento da expectativa de vida, elas passam cerca de um terço da vida nesse período, o que torna essencial o cuidado contínuo e personalizado.

Falar sobre menopausa é falar sobre autoconhecimento, saúde integral e qualidade de vida.
Com informação e apoio, é possível atravessar essa etapa com bem-estar, vitalidade e equilíbrio.


O que é

A menopausa é a fase em que ocorre a interrupção definitiva das menstruações, devido à diminuição natural da função dos ovários e à queda dos hormônios estrogênio e progesterona.
Ela é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar, geralmente entre os 45 e 55 anos.

Antes dela, há o climatério — período de transição que pode durar vários anos, em que os níveis hormonais começam a oscilar e os primeiros sintomas aparecem.
É um processo fisiológico, mas que pode impactar diferentes áreas da vida da mulher, desde o corpo até o humor, o sono e a sexualidade.


Quando desconfiar

Os sintomas variam de mulher para mulher, mas alguns sinais são bastante comuns:

  • Alterações no ciclo menstrual (atrasos, irregularidades ou fluxos diferentes).
  • Ondas de calor (fogachos) e suores noturnos.
  • Alterações de humor, irritabilidade, ansiedade ou tristeza.
  • Secura vaginal, dor nas relações e diminuição da libido.
  • Insônia, fadiga e queda de energia.
  • Ganho de peso e aumento da gordura abdominal.
  • Alterações na pele, cabelo e unhas.

Esses sintomas refletem a adaptação do organismo à nova fase hormonal.
Nem todas as mulheres sentirão todos os sintomas — algumas passam por esse período quase sem desconforto, enquanto outras enfrentam desafios intensos.

“Eu não sabia o que estava acontecendo. De repente, comecei a sentir calor intenso, a acordar suada e a ficar irritada sem motivo. Achei que estava ‘ficando louca’. Quando procurei ajuda, entendi que era a menopausa. Com acolhimento e tratamento, voltei a me sentir eu mesma.”
— Marta, 52 anos

“A menopausa me trouxe uma pausa necessária. Aprendi a olhar para mim, a cuidar mais do corpo e da mente. Foi um recomeço. Com acompanhamento, consegui ajustar meu sono e entender meu novo ritmo. Hoje vivo essa fase com serenidade.”
— Denise, 56 anos


Sintomas e repercussões

Os sintomas da menopausa envolvem tanto o corpo quanto as emoções.
As ondas de calor, que podem surgir várias vezes ao dia, são o sintoma mais característico e resultado da instabilidade do centro de regulação da temperatura corporal.
Além disso, o declínio do estrogênio pode causar alterações metabólicas, redução da densidade óssea e aumento do risco cardiovascular.

Outros efeitos incluem:

  • Alterações no sono, como insônia e despertares frequentes.
  • Oscilações de humor, com ansiedade e irritabilidade.
  • Redução da libido e desconforto nas relações.
  • Ressecamento da pele e mucosas.
  • Maior vulnerabilidade emocional e autopercepção de envelhecimento.

Essas mudanças exigem um olhar médico integral, que considere saúde física, mental e sexual.


Por que é importante cuidar

A menopausa não deve ser enfrentada sozinha.
Além de afetar a qualidade de vida, essa fase pode aumentar o risco de doenças como:

  • Osteoporose, devido à perda de massa óssea.
  • Doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.
  • Síndrome metabólica, com ganho de peso e alterações de colesterol.
  • Distúrbios do sono e da saúde mental.

O acompanhamento médico ajuda a identificar precocemente essas alterações e orienta estratégias preventivas: alimentação equilibrada, atividade física, suplementação e, quando indicada, terapia hormonal.


Terapia hormonal da Menopausa (THM)

A Terapia Hormonal da Menopausa (THM) é uma das opções mais eficazes para aliviar os sintomas vasomotores e melhorar a saúde óssea e urogenital.
Quando bem indicada e monitorada, os benefícios superam os riscos.
O tipo, dose e via de administração são individualizados, conforme histórico clínico e preferências da paciente.

Mas é importante lembrar: nem toda mulher precisa de reposição hormonal.
Existem alternativas não hormonais, fitoterápicas e comportamentais que podem ser igualmente eficazes.
A decisão é sempre compartilhada entre mulher e médico, considerando riscos, sintomas e qualidade de vida.


Impacto emocional e social

A menopausa vai além do corpo — ela também é um marco psicológico e social.
Muitas mulheres associam essa fase ao envelhecimento, à perda da feminilidade ou da sexualidade, quando, na verdade, ela pode representar um novo ciclo de autoconhecimento e liberdade.

Nessa etapa, é comum surgirem reflexões sobre propósito, carreira, maternidade e relacionamentos.
Com o apoio adequado, a mulher pode transformar o medo em autoconfiança e descobrir novas formas de cuidar de si.


Prevenção e saúde após a menopausa

A menopausa é também um ponto de virada para investir em prevenção e autocuidado.
Entre as medidas essenciais estão:

  • Atividade física regular, com foco em força muscular, equilíbrio e saúde cardiovascular.
  • Alimentação rica em cálcio e vitamina D, com possível suplementação orientada.
  • Sono de qualidade e controle do estresse.
  • Rastreamento de câncer ginecológico e de mama, com mamografia e exames preventivos.
  • Avaliação óssea (densitometria) para prevenção de osteoporose.

Essas ações ajudam a manter autonomia, bem-estar e longevidade com saúde.


Perguntas e Respostas

P: Toda mulher vai ter sintomas intensos?
R: Não. A intensidade varia de pessoa para pessoa.

P:  Terapia hormonal é obrigatória?
R:  Não. É uma opção segura quando bem indicada, mas há alternativas eficazes.

P: Menopausa engorda?
R:  O metabolismo muda, e pode haver ganho de peso, mas alimentação e atividade física ajudam a equilibrar.

P: É o fim da vida sexual?
R: De forma alguma. Há tratamento para ressecamento e dor, e o diálogo com o parceiro é fundamental.

P: Posso engravidar no climatério?
R: Sim. Até 12 meses após a última menstruação, ainda há risco de ovulação.

P: A menopausa causa depressão?
R: Pode aumentar a vulnerabilidade emocional, mas depressão é uma condição à parte, que merece avaliação.

P: A reposição hormonal causa câncer?
R: O risco depende do tipo, dose e tempo de uso. Quando bem indicada, é segura.

P: Preciso continuar indo ao ginecologista depois da menopausa?
R: Sim! A prevenção deve continuar ao longo da vida.


Mitos e Verdades sobre a Menopausa

Mito: Menopausa só acontece depois dos 50 anos.
Verdade: Pode ocorrer entre 45 e 55 anos; antes dos 40 é considerada precoce.

Mito: Toda mulher precisa fazer reposição hormonal.
Verdade: A decisão é individual e depende dos sintomas e histórico.

Mito: Libido sempre diminui.
Verdade: A libido pode mudar, mas o desejo é influenciado por fatores emocionais e relacionais.

Mito: Exercício não ajuda nos sintomas.
Verdade: Atividade física melhora sono, humor e reduz fogachos.

Mito: Menopausa é sinônimo de envelhecimento.
Verdade: É uma nova fase, que pode ser vivida com vitalidade.

Mito: Depois da menopausa, não há mais risco de doenças ginecológicas.
Verdade: O acompanhamento continua essencial.


Caso ilustrativo

“Durante a consulta, contei à minha médica que estava tendo ondas de calor, insônia e irritabilidade.
Eu achava que estava deprimida e tinha medo de estar ‘envelhecendo antes da hora’.
Depois de conversar com calma, descobrimos que eu estava no climatério.
Fiz algumas mudanças no estilo de vida e comecei a usar terapia hormonal local.
Em poucas semanas, percebi que meu sono, meu humor e minha autoestima melhoraram muito.
Hoje entendo que a menopausa não é o fim, é uma nova forma de ser mulher, mais leve e consciente de mim mesma.”
— Helena, 50 anos

Esse relato reflete o papel transformador do acompanhamento médico empático, que escuta, acolhe e oferece cuidado integral, ajudando cada mulher a reencontrar equilíbrio e bem-estar em uma fase de grandes mudanças.


Por fim…

A menopausa é uma transição — não um fim.
Com acompanhamento médico, informação e autocuidado, é possível viver essa fase com leveza, plenitude e saúde.
O segredo está em enxergar o corpo como aliado, não como inimigo.

Sou médica de família e comunidade, uma especialidade que cuida das pessoas em todas as fases da vida – da infância até a velhice.
O médico de família acompanha não só a pessoa, mas também a família como um todo, ajudando na promoção da saúde e no tratamento de doenças de forma integral, considerando a realidade e o contexto de cada um.
Na menopausa, essa abordagem contínua e acolhedora é fundamental para transformar essa fase em um renascimento da saúde e do bem-estar feminino.

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